segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Hoje, eu precisava de ti.

Hoje, eu precisava de ti...
Precisava que me dissesses para manter a calma,
Precisava que o teu dia, os teus problemas
fizessem os meus desvanecer na alma,
Precisava que me falasses, que me contasses,
que me dissesses, que me ligasses,
Precisava de ouvir o "Boa Noite",
de te saber perto estando longe.
Hoje, era eu quem precisava
que a aguentar isto me ajudasses.
(Porque já muitas lágrimas caíram...)
Precisava de te ouvir dizer que gostas de mim,
mesmo que me enganasses.
Precisava daquele pouco tempo que sem o ser, era-o.
Precisava que, de facto, de mim cuidasses,
que me fizesse sentir que valia a pena,
que me desses uma força que me elevasse.
Sim, hoje eu precisava de ti.

Joana Seca
29/11/2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Há pessoas que nos marcam...

A minha professora de Português é uma delas.

"Sísifo


Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.


E, nunca saciado,
Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar

E vendo Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.


Miguel Torga, Diário XIII "

«Alimenta a tua fé e as tuas dúvidas morrerão de fome.»

Provérbio Árabe


Obrigada pelos quatro anos de ensinamentos!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sabor do Gostar

Vi-te; e ao olhar-te percebi
que nunca de ti gostei.

Contigo sorri, revivi, alegrei-me.
Graças a ti fiz mais do que sentir,
sonhei.
E nos meus sonhos pensava
que
era certo o caminho onde andava.
Enganei-me.
Hoje, ao ver-te, não te vi como via.

Não, nunca gostei de ti...

Era engano o que sentia,
pois não era de ti que gostava
era de mim.

Gostava do que eu era
quando contigo estava,
do que sentia
quando contigo falava,
do que voava quando
cantavas para mim.

Agora, sei que gostava de ti
como podia gostar de qualquer outro.
Porque, afinal, não era de ti que gostava,

era do que eu sentia por gostar de ti.


Joana Seca
2010/06/14

sábado, 15 de maio de 2010

Não é meu, mas podia ser...


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta."

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Invejo-te

Invejo-te.
Não pelo que és
nem pelo que tens.
Invejo-te, sim, pelo que tiveste,

pelo que olhaste, pelo que tocaste,
pelo que sentiste, pelo que cheiraste,
pelo que viveste.
Invejo-te por teres tido, olhado,
tocado,
sentido, cheirado e vivido
aquilo que não tenho, não olho,

não toco, não sinto, não cheiro

e não vivo.

Invejo-te ainda mais porque
sei que
nunca o terei,
nunca o olharei,
nunca o tocarei,
nunca o sentirei,
nunca o cheirarei
nem nunca, jamais,
o viverei.

Só por isso, e nada mais,
Invejo-te.

Joana Seca
2010/04/29

terça-feira, 13 de abril de 2010

Novamente... (começa a ser hábito)

Mais uma vez
a desilusão subiu ao trono.

Eras lindo, maravilhoso,

mas não passas de um mono!

Sei que não te quero insultar

mas a revolta é tanta

que não me consigo controlar.


Não queres conversas,

um dia vais querer,
disto
não te esqueças.
E, nessa altura,
quem te vai mandar passear
sou eu!
E esse teu triste ser
vai ver
tudo
o que perdeu!


Agora posso chorar,
mesmo querendo,

posso não me controlar.

É uma tristeza

cairmos sempre na desilusão.
Este sentimento
já me rebenta o coração.


O coração e talvez a mente.

O coração está cada vez mais só,

vazio e doente.

De todas estas lutas de triste fim

sobram as obras que guardo para mim.

Destruí-las? Não creio que seja solução.

Não têm culpa e servem de recordação.


Enfim, vamos aguentando,
por vezes triste, amargurada,

até gritando!

Confio que um dia terei a minha sorte,

um príncipe encantado
que me ame e me conforte,

respeite, em mim confie e me aceite,
com quem seja feliz,
alguém que não me rejeite.


Esse dia
há-de chegar,
confio.

Mesmo que vá demorar,

confio.

Não tenho outra hipótese

se não esperar,

mas até lá

terei que me aguentar.

[Confiando.]

Joana Seca
25/10/2006

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tu!

A Nádia diz que isto por aqui anda meio murcho, e tem razão. Por isso decidi ir ao meu velho caderninho ver o que havia para lá e encontrei isto:
Jamais esquecerei a beleza desse olhar,
olhos que me prendem a ti e diluviam os meus.
Adoro os teus lábios, teu nariz, teu cabelo...
Algures nessa cara um sorriso que desconheço
(oxalá um dia o tenha bem presente...).

Dir-te-ia coisas para as quais nem palavras tenho;
Orgulhar-me-ia de ti se o que sinto fosse compensado,
se o rir, chorar, viver e amar nos fosse comum;
Olhar-te-ia sem pestanejar quantas mais horas pudesse;
Trar-te-ia dentro de mim no frio do Inverno;
Esperaria de ti mais do que do mundo inteiro;
Mergulharia na tua vida até não poder mais conter o ar;
Usaria todos os dias o teu "eu" em mim;
Imaginaria o arco-íris onde tudo é negro.

Tudo isto porque preciso de ti
e onde quer que estejas,
real ou irreal,
estás aqui!

Joana Seca
Janeiro/2007


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cântico Negro

Hoje lembrei-me de um poema que me foi apresentado na primeira aula que tive de Filosofia e do qual passei a gostar MUITO! Vá-se lá saber porque me lembrei dele, mas lembrei e é por isso que ele aqui está:


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!"


José Régio


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sem título

Tuas fotos são a cara que nunca toquei,
O corpo que nunca abracei,

A boca que nunca beijei.

És o sonho mais longínquo da realidade,

O pesadelo cor-de-rosa,
O inatingível, o incansável,
O que nunca foste, não és e jamais serás;

A batalha que nunca vou vencer,
A matéria que nunca vou entender,

O problema sem solução,

A minha tristeza sem razão,

A presença que está ausente,
A pessoa que não me sai da mente,

Aquele que espero encontrar

A qualquer minuto, em qualquer lugar,

O que nunca aparece nem nunca vai falar,
O que não reconhece e sempre vai ignorar;
Aquele para quem as minhas lágrimas correm,

Aquele no qual todas as minhas alegrias morrem,

Aquele cujo único olhar me faz tremer,
Cujo som vocálico me faz renascer.

É esse mesmo que me põe neste estado,

Que me põe para aqui a escrever...

É também o mesmo que nunca me vai querer,

Que não sabe da minha existência

Nem quando nasci
Nem da cor que gosto

Nem que estou mal se não o mostro.

É aquele a quem nem ao lado passo,

Pois a sua superioridade me deita abaixo.

É, por fim, o mesmo que
Se algum dia isto ler
Jamais vai perceber
Que é para ele o escrito.

É o sonho...

A ilusão...

O pássaro que nunca me esteve na mão...


Para ti.
Joana Seca
2007/01/22

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pedras do Meu Castelo


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

Mas não esqueço de que minha vida

É a maior empresa do mundo…

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver

Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e

Se tornar um autor da própria história…

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar

Um oásis no recôndito da sua alma…

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um “Não”!!!

É ter segurança para receber uma crítica,

Mesmo que injusta…

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"

Fernando Pessoa


P.S.- Nasceu o "Pedras do Meu Castelo", para espreitares quando te apetecer*

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010



Feliz 2010!!


P.S. - 2010 é "o" ano...