quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Porque hoje é um dia de neve...

"Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração."

Augusto Gil


(... E eu adoro dias de neve!)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Natal

Não há melhor poesia...



... Que a magia do Natal! *****





(Lamento se era esperado um poema, mas não há palavras que descrevam esta época. Adoro, adoro, adoro!)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Agora sim...

Descobri a razão
Pela qual as pessoas,
Mesmo sem qualquer motivo,
Falam mal dos outros.
É tudo um questão de indiferença...

Se tu vês e elas não,
Falam!
Se tu tens e elas não,
Falam!

Se tu fazes e elas não,
Falam!
Se tu dizes e elas não,
Falam!
Se tu consegues e elas não,
Falam!
Se tu ages e elas não,
Falam!
Se tu sentes e elas não,
Falam!
Se tu és e elas não,
Falam!

Ainda não percebeste?

No fundo, mas bem lá
No fundo, não lhes és indiferente.
No fundo, mas mesmo lá
No fundo, essas pessoas
Gostavam de ser como tu!

Como não conseguem, sabes
O que fazem?
Falam!

Pronto,
Agora já podem falar...


Joana Seca
25/11/2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Catarina

12h: há um ano, por esta hora,
já eu recebia uma mensagem:
"Joana, já nasceu".
Um misto de alegria, responsabilidade
e talvez magia invadiu o meu ser!
Hoje, 365 dias depois,
Recordo com grande ternura
todas as horas, todos os minutos,
todos os segundos de felicidade...
Entre "pivetes" e choros,
entre beijos e risos...
Um passo, uma alegria.
Um gesto, uma nova palavra que se cria.
E assim, querida Catarina,
recordo o teu primeiro ano de vida
com muito orgulho de prima
e madrinha ser
de tão pequena maravilha.

Joana Seca
2005-11-29


[ Já lá vão cinco :) ]

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Máxima do dia

"
...

Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.

Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demias aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.


...

"

Ricardo Reis

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quando viraste a cara...

Preciso de te ver,
Mas não te consigo encarar.
O medo de te perder
É mais forte que vago;
O querer-te esquecer
Contradiz o amar...
Tento perceber e também aceitar
Que somos pessoas diferentes,
Que nunca juntos vamos ficar,
Mas quando olho para ti
E esses olhos se cruzam com os meus...
Tudo pára,
Tudo é nulo!
O coração acelera e as borboletas soltam-se.
E, de repente, nesse momento mágico,
Tu viras a cara,
Como se não nos conhecêssemos.
Eu choro e revolto-me
Contra tudo, contra todos!
Mais um mundo cor-de-rosa que fica sem cor!
No qual não há amor
Nem sol
Nem Primavera.
No qual tudo é escuro,
Triste
E sem vida...
Pois toda a cor desapareceu,
E foi nos teus olhos levada,
No mesmo momento em que tu
Viraste a cara...


Joana Seca
6 de Agosto de 2006

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Despedidas

Entre muitas e várias lágrimas
Assim me despedi
De mais um ano,
Cheio de coisas mágicas.

Agora separados
Acaba-se a borga...
(Uns vão para a Abade de Baçal
E outros para a Miguel Torga).

Sem saber o que dizer,
De todos me despedi.
E mesmo tentando não me comover
Não escondi o que senti.

Pena, tristeza e vontade de chorar...
Tudo isto e muito mais,
Só de pensar que os ia deixar.

Levantando a mão bem devagarinho
Despedi-me assim,
Com um triste adeus
E um grande beijinho...

Joana Seca
20/07/2004



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Memórias

Há já algum tempo
Que andava a pensar
No dia de te ires embora,
Imaginava essa hora,
Estava triste, mas pensava:
"Logo há-de passar...".
Mergulho nas lembranças
Pois, onde quer que estejas,
Rio para não chorar,
Ando para não parar,
Indignada, mas sempre,
Sempre a de ti gostar!

Joana Seca
09/06/2005

sábado, 31 de outubro de 2009

Nunca e de nada me serviu a razão

De que me serve acordar e mentalizar-me

Que o hoje vai ser melhor que o ontem,

Ontem após ontem,

Perdendo a conta e o sentido às mentalizações?

De que me serve dar um sorriso aos outros,

Tentar ser correcta com eles,

Desejar o seu bem,

Quando a preocupação comigo mesma

Não toca a ninguém?

De que me serve lutar todos os dias

Para ser mais e melhor,

Estudar, ter ambições,

Se nem entro nos corações

Dos que me deveriam acolher?
De que me serve dar em vez de receber

Se todos os actos, palavras ou pensamentos

Que cometem em meu redor

Só me fazem sofrer?

De que me serve viver, sentir, amar, querer,

Se a única certeza de todas as vidas

É o momento de morrer?

Nada é o que quero.

Nada é o que imagino.

Nada é o que espero.

A vida é um misto de desilusão e confusão

E a única certeza que tenho

É que, nesta vida,

Nunca e de nada me serviu a razão.


Joana Seca

31/10/2009, 0:50

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A amizade

Eu sei que devia estar a estudar para Psicologia, devia mesmo! Mas hoje lembrei-me de um poema que escrevi há muito, muito tempo sobre a amizade.
Infelizmente, lembro-me dele mais vezes do que as que gostaria. Isto porque, infelizmente repito, o mundo, a sociedade e a juventude que me é contemporânea (pelo menos a que se relaciona directamente comigo) me deixam um bocadinho desiludida face a este assunto.
Mas enfim, é assim a vida. Melhores dias virão!


(Desde já peço desculpa pela pouca qualidade do poema mas eu ainda sou um bocadinho nova e ele já é bocadinho antigo.)

Um sentimento
Que verdadeiro devia ser.
Muitas vezes não é,
O que a muitos faz sofrer.

Iludidos na mentira
Fazemos novas amizades.
Mas quando o novo amigo se cansa
Descobrem-se as verdades.

A dor e o sentimento de traição
São coisas que logo ocorrem,
Sem falar na decepção
E nas alegrias que juntas morrem.

E aí descobrimos
Os verdadeiros amigos.
Aqueles que nos apoiam,
Os que não ligam aos defeitinhos.

Em conclusão,
A amizade,
Sentimento que mostra a ligação entre os amigos
E o que deveria ser a verdade.

Joana Seca
31/03/2005

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ser feliz

Talvez seja uma ilusão
Criada no coração e que confunde a mente.
Há quem lhe chame amor, mas eu,
Eu neste momento chamo-lhe desilusão...
Já dizia o ditado:
"Ama quem te ama, não ames quem te sorri.
Quem te sorri te engana, quem te ama sofre por ti".
Chega de sofrimento!
De quem se ri para mim!
Eu quero ser feliz!
Acarinhada, respeitada e amada.
Quero ser feliz!
Sem estúpidos a gozar com a minha cara,
Sem ilusões que não servem de nada.
Quero ser feliz!
Quero que gostem de mim pelo que eu sou,
Não que se riam de mim.
Mas também não quero que sofram...
Só quero ser feliz...
Joana Seca

(Curiosamente, o poema não tinha data. Talvez seja um bocadinho intemporal...
)

Um blogue, quem diria...

Hoje, estava na aula de Português e, ao ler uma carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro (onde o primeiro explicava a génese dos seus heterónimos), deparei-me com a seguinte expressão: "tudo acaba em silêncio e poesia...".
Foi então que me surgiu a ideia de criar um blogue com este nome. Coisa mais parva! Mas teve a sua razão...
Desde pequena que fui escrevendo pequenos poemas, mas nunca os mostrei a ninguém. Achava que eram coisas minhas, de momentos parvos, que falavam de coisas de "pita" que não podiam ser, de facto, verdade. Mas este ano descobri uma coisa importantíssima: o poeta é um fingidor!
Não estou, de todo, a dizer que sou poeta; não! Mas já tive os meus devaneios. Principalmente por paixonetas (daí achar que eram "pitices"), o que fazia com que não me sentisse muito à vontade com eles.

Mas, graças ao grande Fernando Pessoa, descobri que, afinal, o que eu escrevi e que agora acho que é impossível exprimir algo que tenha sido sentido, não foi sentido na realidade. Houve algum sentimento, claro, mas as palavras que escrevi já faziam parte da racionalização. Logo, não eram sentidas. (É confuso, eu sei, mas tem lógica.) E agora já não me pergunto porque escrevi aquilo, nem acho que sejam coisas de "pita", foram formas de racionalizar alguns sentimentos. Sim, foi isso!
Portanto este vai ser o cantinho que vai roubar algumas páginas do meu caderno de poemas antigos (antigos, porque já há muito que não escrevo). E assim se justifica o nome do blogue. Para além de serem recordações de pequenos momentos meus que acabaram em poesia, este foram mantidos em silencio até agora.
Sim, podem achar que são lamechas. E são! Que são coisas de "pita". E eram! Mas, de qualquer forma, eram, são e serão os meus poemas!


Obrigada, Pessoa, pela ideia. Os leitores é que são capazes de não ficar muito agradecidos...