quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Voltei... (por hoje)

Inunda-me, sempre me inundou
e acabou de o voltar a fazer.
Por mais que eu faça, que eu diga, que eu pense,
por mais que eu pare, que não fale, que qualquer pensamento cale,
acabo sempre por sofrer.
E para quê? Porque?
Porque hei-de eu sair do meu casulo e lutar?
Porque hei-de eu armar-me em forte se não a posso enfrentar?
Porquê? E para quê?
Ela é mais forte e vai sempre ganhar.
É tão forte que me há-de continuar a inundar.
Ela é e há-de sempre ser...
A tristeza.

Joana Seca
2011/08/24

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Hoje, eu precisava de ti.

Hoje, eu precisava de ti...
Precisava que me dissesses para manter a calma,
Precisava que o teu dia, os teus problemas
fizessem os meus desvanecer na alma,
Precisava que me falasses, que me contasses,
que me dissesses, que me ligasses,
Precisava de ouvir o "Boa Noite",
de te saber perto estando longe.
Hoje, era eu quem precisava
que a aguentar isto me ajudasses.
(Porque já muitas lágrimas caíram...)
Precisava de te ouvir dizer que gostas de mim,
mesmo que me enganasses.
Precisava daquele pouco tempo que sem o ser, era-o.
Precisava que, de facto, de mim cuidasses,
que me fizesse sentir que valia a pena,
que me desses uma força que me elevasse.
Sim, hoje eu precisava de ti.

Joana Seca
29/11/2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Há pessoas que nos marcam...

A minha professora de Português é uma delas.

"Sísifo


Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.


E, nunca saciado,
Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar

E vendo Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.


Miguel Torga, Diário XIII "

«Alimenta a tua fé e as tuas dúvidas morrerão de fome.»

Provérbio Árabe


Obrigada pelos quatro anos de ensinamentos!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sabor do Gostar

Vi-te; e ao olhar-te percebi
que nunca de ti gostei.

Contigo sorri, revivi, alegrei-me.
Graças a ti fiz mais do que sentir,
sonhei.
E nos meus sonhos pensava
que
era certo o caminho onde andava.
Enganei-me.
Hoje, ao ver-te, não te vi como via.

Não, nunca gostei de ti...

Era engano o que sentia,
pois não era de ti que gostava
era de mim.

Gostava do que eu era
quando contigo estava,
do que sentia
quando contigo falava,
do que voava quando
cantavas para mim.

Agora, sei que gostava de ti
como podia gostar de qualquer outro.
Porque, afinal, não era de ti que gostava,

era do que eu sentia por gostar de ti.


Joana Seca
2010/06/14

sábado, 15 de maio de 2010

Não é meu, mas podia ser...


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta."

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Invejo-te

Invejo-te.
Não pelo que és
nem pelo que tens.
Invejo-te, sim, pelo que tiveste,

pelo que olhaste, pelo que tocaste,
pelo que sentiste, pelo que cheiraste,
pelo que viveste.
Invejo-te por teres tido, olhado,
tocado,
sentido, cheirado e vivido
aquilo que não tenho, não olho,

não toco, não sinto, não cheiro

e não vivo.

Invejo-te ainda mais porque
sei que
nunca o terei,
nunca o olharei,
nunca o tocarei,
nunca o sentirei,
nunca o cheirarei
nem nunca, jamais,
o viverei.

Só por isso, e nada mais,
Invejo-te.

Joana Seca
2010/04/29

terça-feira, 13 de abril de 2010

Novamente... (começa a ser hábito)

Mais uma vez
a desilusão subiu ao trono.

Eras lindo, maravilhoso,

mas não passas de um mono!

Sei que não te quero insultar

mas a revolta é tanta

que não me consigo controlar.


Não queres conversas,

um dia vais querer,
disto
não te esqueças.
E, nessa altura,
quem te vai mandar passear
sou eu!
E esse teu triste ser
vai ver
tudo
o que perdeu!


Agora posso chorar,
mesmo querendo,

posso não me controlar.

É uma tristeza

cairmos sempre na desilusão.
Este sentimento
já me rebenta o coração.


O coração e talvez a mente.

O coração está cada vez mais só,

vazio e doente.

De todas estas lutas de triste fim

sobram as obras que guardo para mim.

Destruí-las? Não creio que seja solução.

Não têm culpa e servem de recordação.


Enfim, vamos aguentando,
por vezes triste, amargurada,

até gritando!

Confio que um dia terei a minha sorte,

um príncipe encantado
que me ame e me conforte,

respeite, em mim confie e me aceite,
com quem seja feliz,
alguém que não me rejeite.


Esse dia
há-de chegar,
confio.

Mesmo que vá demorar,

confio.

Não tenho outra hipótese

se não esperar,

mas até lá

terei que me aguentar.

[Confiando.]

Joana Seca
25/10/2006