quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sem título

Tuas fotos são a cara que nunca toquei,
O corpo que nunca abracei,

A boca que nunca beijei.

És o sonho mais longínquo da realidade,

O pesadelo cor-de-rosa,
O inatingível, o incansável,
O que nunca foste, não és e jamais serás;

A batalha que nunca vou vencer,
A matéria que nunca vou entender,

O problema sem solução,

A minha tristeza sem razão,

A presença que está ausente,
A pessoa que não me sai da mente,

Aquele que espero encontrar

A qualquer minuto, em qualquer lugar,

O que nunca aparece nem nunca vai falar,
O que não reconhece e sempre vai ignorar;
Aquele para quem as minhas lágrimas correm,

Aquele no qual todas as minhas alegrias morrem,

Aquele cujo único olhar me faz tremer,
Cujo som vocálico me faz renascer.

É esse mesmo que me põe neste estado,

Que me põe para aqui a escrever...

É também o mesmo que nunca me vai querer,

Que não sabe da minha existência

Nem quando nasci
Nem da cor que gosto

Nem que estou mal se não o mostro.

É aquele a quem nem ao lado passo,

Pois a sua superioridade me deita abaixo.

É, por fim, o mesmo que
Se algum dia isto ler
Jamais vai perceber
Que é para ele o escrito.

É o sonho...

A ilusão...

O pássaro que nunca me esteve na mão...


Para ti.
Joana Seca
2007/01/22

6 Silêncios:

Unknown disse...

Adorei.
(Quem será o "ele") hum hum :)

Joana disse...

Nádia, o poema é antigo... Mas também um bocadinho intemporal e de fácil adaptação :p

Unknown disse...

Pois, eu cá te entendo.

Joana disse...

Nádia, será que entendes? :p

Anónimo disse...

lindo simplesmente.... e tão comigo se identificou que lágrimas pelo meu rosto cair deixou.....


adorote miuda!!!
ass: Martolas :D

Joana disse...

Martolas,

Até rimas pa! Obrigada :')

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